Mercado Brasileiro

Regulamentação do Mercado Brasileiro

As empresas de locação de veículos no Brasil estão sujeitas a uma vasta gama de regulamentos federais, estaduais e municipais aplicáveis de maneira geral a todas as companhias que desenvolvem operações no Brasil (incluindo as leis relativas a direitos trabalhistas, previdência social, proteção ao consumidor e questões antitruste), bem como a regulamentação específica relacionada com a sua atividade.

 

A atividade de franquias é regulamentada pela Lei nº. 8.955, de 15 de dezembro de 1994, e consiste, em linhas gerais, na licença do direito de uso de marca ou patente, envolvendo a transferência de conhecimento e a exploração exclusiva ou semi-exclusiva de produtos e, eventualmente, também ao direito de uso de tecnologia de implantação e administração de negócio ou sistema operacional desenvolvidos ou detidos pelo franqueador, mediante remuneração direta ou indireta.


A Indústria Automotiva no Brasil

Introdução

 

Em 2017, o Brasil ficou na posição de 9º maior fabricante de carros no mundo (segundo o ranking da Organização Internacional de Fabricantes de Veículos com Motores – OICA). Para o mesmo período, o país ainda contava com uma frota total de aproximadamente 97,1 milhões de veículos (de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito – DENATRAN). Conforme reportado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), a idade média da frota circulante, excluindo-se motocicletas, em 2017, foi de aproximadamente 9 anos e 7 meses, já a relação entre a população residente e a frota de autoveículos foi de 4,8 habitantes por veículo, patamar estável desde 2015.   

O gráfico seguinte ilustra a evolução da indústria automotiva brasileira de 2015 a 2017:

 

Fonte: Anfavea

A evolução da frota ratificou a importância das empresas de locação de veículos no setor automobilístico brasileiro.

No Brasil, as montadoras não oferecem a opção de recompra para as locadoras de veículos. No entanto, o mercado de carros usados é bastante líquido, permitindo adequada monetização dos ativos. Acresce que, como uma grande compradora de veículos, a Unidas obtém descontos substanciais junto às montadoras, o que minimiza a depreciação inicial dos veículos.

O perfil da frota do setor está amplamente concentrado nos carros conhecidos por “populares”, o que a Unidas acredita ser resultado do baixo poder aquisitivo da população brasileira.

Geograficamente, a frota total brasileira está fortemente concentrada na região Sudeste, como mostra o mapa seguinte:

Fonte: Denatran, Setembro/18

Terceirização de Frotas

A Terceirização de Frotas

O negócio de Terceirização de Frotas no Brasil teve início na década de 80, por meio da iniciativa de algumas locadoras de carros, que começaram a oferecer a opção de Terceirização de Frotas para empresas, atividade que já estava se desenvolvendo nos mercados norte-americano e europeu. Este segmento de negócio teve, porém, o seu impulso no Brasil no final da década de 90, com o desenvolvimento da economia brasileira e do próprio mercado mundial de Terceirização de Frotas.

A Terceirização de Frotas apresenta características de um negócio de atacado, com centralização de atividades em uma unidade central, que gerencia os contratos e os veículos distribuídos por todo o território do Brasil. O negócio de terceirização de frotas não exige elevada disponibilidade de pessoal, podendo operar com custos fixos baixos, dada a possibilidade de terceirizar os serviços de apoio e manutenção necessários para a gestão da frota. Este tipo de operação permite escalabilidade e um volume elevado de negócios, que com o uso intensivo de tecnologia, leva a um reduzido custo fixo.

A Terceirização de Frotas tem uma base de clientes mais concentrada que o segmento de Rent a Car, operando basicamente com empresas. Por essa razão, este segmento de negócio não está tão exposto à variação sazonal de negócios. Nos contratos de Terceirização de Frotas, tipicamente, os preços são ajustados de acordo com índices fixados nos respectivos contratos, estabelecidos entre as locadoras de frota e o respectivo cliente, e que variam em função de uma série de fatores, tais como o preço de aquisição dos veículos, depreciação, despesas financeiras e de manutenção, tipo de uso, tamanho e perfil da frota e responsabilidades assumidas pelo cliente.

A terceirização permite a redução de custos em relação a uma frota própria e a desmobilização de capital, pelo que poderá existir demanda por serviços deste segmento não só em períodos de expansão econômica, mas também em períodos de maior instabilidade econômica.

O segmento de Terceirização de Frotas exige investimento intensivo de capital e a renovação periódica da frota usada. A venda dos carros usados pode ser feita tanto no varejo como no atacado.

 

Mercado Brasileiro de Terceirização de Frotas 

Fonte: 2018 ABLA Relatório Anual, Frost&Sullivan research, Datamonitor e últimas informações disponibilizadas pelas companhias.

 

O Brasil apresenta uma característica que o distingue de outros países desenvolvidos: as locadoras de veículos muitas vezes se utilizam de sua estrutura (rede de lojas) para operar não só a locação de carros, mas também a locação de frotas (terceirização de frotas). Por esta razão os números do setor de terceirização de frotas estão incluídos nos números divulgados pela ABLA.

A expansão do segmento de terceirização de frotas nos últimos anos foi motivada principalmente pelos seguintes fatores:

  • Crescimento da tendência de Terceirização de Frotas por parte das pequenas, médias e grandes empresas;
  • Consolidação do mercado; e
  • Desenvolvimento dos serviços agregados à terceirização da frota.

 

O mercado brasileiro de terceirização de frotas encontra-se fragmentado, sendo a Unidas líder deste segmento com 11,1% de participação do mercado em termos de faturamento. As principais empresas especializadas do setor de terceirização de frotas no Brasil são: Unidas, Total Fleet (Localiza), Arval, LM, ALD, Ouro Verde, Leaseplan, DaVinci, Locaralpha, Lets e Master Car Rental, dentre outras. Todavia, praticamente todas as mais de 11 mil locadoras existentes no país em 2017 também operavam neste segmento de negócio.

Em 2017, o mercado de terceirização de frotas no Brasil cresceu seu faturamento em 12,5% em relação à 2016, dos quais os cerca de 20% deste crescimento foi concentrado nos três maiores players.

 

Mercado internacional de Terceirização de Frotas

O mercado internacional de Terceirização de Frotas tem experimentado um crescimento não tão robusto em anos recentes nos mercados norte-americano e europeu, reflexo de uma maturidade deste negócio nestes países, contrariamente ao que sucede no Brasil, onde o mercado ainda é recente.

Verifica-se que a taxa de penetração do segmento de terceirização de frotas no Brasil é ainda consideravelmente inferior quando comparada às taxas de outros países, tal como descrito no gráfico seguinte, o que indicia forte potencial de expansão para o mercado brasileiro.


Aluguel de Carros (Rent-a-Car – RAC)

A atividade de locação de carros no Brasil teve início na década de 50. Os primeiros negócios surgiram na região central de São Paulo através da iniciativa de alguns empresários do ramo de revendas de carros usados, que começaram a alugar seus carros como atividade suplementar. Na metade da década de 60, a atividade teve um grande impulso com a entrada das empresas multinacionais de aluguel de carros, fato que levou as demais locadoras existentes a se profissionalizarem.

Com o surgimento das empresas de leasing financeiro nos anos 70, as locadoras tiveram facilidade de acesso a créditos para aquisição de veículos, o que viabilizou um grande desenvolvimento da indústria de locação de carros. Na década de 80, a indústria de locação de carros já era uma atividade consolidada no Brasil. Houve um visível crescimento de locadoras locais nos mais diversos pontos do País. Ainda nesta década se iniciou a expansão das redes através do sistema de franquias.

Apesar do difícil contexto macroeconômico que provocou um aumento no preço dos veículos, a indústria de locação de carros entrou na década de 90 com novos desafios e oportunidades, como a abertura econômica, o Código de Defesa do Consumidor, o Código Nacional de Trânsito, o lançamento dos carros econômicos com motorização 1.0 e a expansão dos cartões de crédito. A abertura comercial facilitou a importação de carros e os consumidores passaram a exigir mais qualidade graças à livre concorrência e com o fim do protecionismo do mercado interno.

O crescimento no mercado de locação de carros nos últimos anos foi motivado, principalmente, pelos seguintes fatores:

  • Forte expansão da acessibilidade da população com o aumento do salário mínimo e maior competitividade das tarifas praticadas;
  • Aumento do turismo de lazer doméstico e receptivo internacional;
  • Melhoria da infra-estrutura aeroportuária;
  • Aumento do fluxo de passageiros nos aeroportos;
  • Crescimento da indústria de feiras e eventos;
  • Massificação dos cartões de crédito;
  • Investimentos dos setores de telecomunicações, infra-estrutura, energia, agronegócio e exportação; e
  • Acesso ao crédito de longo prazo.

 

Fonte: Ministério do Turismo, IBGE, IPEADATA, BCB, ABLA, Ministério de Transportes, Portos e Aviação.

O mercado brasileiro de locação de carros encontra-se fragmentado. Neste mercado a Unidas está entre as empresas líderes, com 7,8% de participação de mercado considerando a Receita Bruta em 2017 (RAC e Franquias RAC). Considerando os três maiores players, a concentração é de apenas 54%, considerado baixo quando comparado a mercados maduros, como os Estados Unidos, onde as três maiores empresas concentram 94,9% do mercado.

Fonte: ABLA – foram realizadas mudanças na metodologia da pesquisa em 2014.

As diversas oportunidades de crescimento, a ainda baixa penetração e o maior aculturamento da população aos benefícios do aluguel de carros permitiram com que a indústria crescesse dois dígitos, mesmo durante os recentes períodos de recessão. Em 2017, essa expansão, em termos de faturamento, foi de R$700 milhões, dos quais foram concentrados nos três maiores players do mercado.